Estudantes discutem combate ao bullying no 1º Fórum Estudantil pela Cultura da Paz


Mais de cem estudantes de 51 escolas públicas e privadas de Salvador debateram soluções para combater o bullying e a violência nas escolas hoje, dia 1º, no evento inicial do 1º Fórum Estudantil Pela Cultura da Paz. Durante o evento, que aconteceu na sede principal do Ministério Público do Estado da Bahia, os jovens apresentaram ideias para a prevenção da violência. A promotora de Justiça Cíntia Guanaes abriu o evento e falou sobre a origem do projeto. Parte da campanha #SejaBrother, o evento surgiu a partir do contato com estudantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). “Criamos diversos procedimentos no MP para resolver problemas estruturais que os alunos apontaram na escola. Mas havia um problema para o qual não era possível criar um procedimento – o problema do bullying. Isso não é algo que se possa resolver com uma caneta. Como então o MP pode atuar em relação a isso?”, questionou.

Assim, o Fórum Estudantil foi criado para escutar a experiência dos jovens no combate às violências escolares. “Nós convocamos os jovens para entender o fenômeno da violência e entender como combatê-la. E vocês podem, sim, combatê-la. É possível mudar a realidade da sua escola. São vocês, estudantes, que vão dizer às autoridades o que é necessário para transformar o ambiente escolar”, provocou a promotora. Além dos estudantes, o Fórum reuniu membros do Ministério Público estadual e coordenadores pedagógicos, diretores e professores acompanhantes, que participaram de uma programação separada.

O poder dos estudantes também foi foco da fala do psicólogo Alessandro Marimpietri. Ele explicou que o ciclo de violência tem relação com a necessidade de repetir comportamentos, mesmo que estejam errados, para fazer parte de um grupo. “Será que fazer o que todo mundo faz está sempre certo? Nós não podemos naturalizar a violência. Não é normal hostilizar aquele colega diferente, publicar aquela foto ofensiva, agredir alguém”, afirmou. São os próprios estudantes, de acordo com o psicólogo, que irão quebrar este ciclo. “É preciso pensar antes de agir e de tolerar a violência e o bullying. Os jovens são os protagonistas deste movimento de mudança. São vocês que irão pensar em maneiras de concertar este mundo”.

Os grupos de debate dos estudantes foram acompanhados pelos promotores de Justiça Valmiro Macêdo, Ana Bernadete Andrade, Maria Helena Pereira, Carlos Matheo Guanaes, Maria Pilar Menezes, Mirela Brito e Márcia Rabelo, assim como por psicólogos do grupo Desenvolver Psicologia e Educação. Os jovens discutiram ações que deveriam ser assumidas pela escola, pelo governo e por instituições públicas, pelas famílias e pelos próprios estudantes no combate ao bullying. Amanhã, dia 2, os estudantes se reunirão novamente para escolher as melhores soluções – as mais votadas irão compor uma carta de propostas a ser entregue para autoridades da área de juventude e educação. Chamada “Carta do 1º Fórum Estudantil Pela Cultura da Paz”, o documento também será entregue às famílias dos alunos.

O 1º Fórum Estudantil pela Cultura da Paz aconteceu em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe), a Fundação José Silveira, a Secretaria Municipal de Educação, a Secretaria Estadual de Educação e a organização Desenvolver Psicologia e Educação.

Redator: Estagiária de Jornalismo sob supervisão de Aline D’Eça (MTB/BA 2594)

Fotos: Iracema Chequer / Rodtag Fotografias

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